sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Os Papas do Século XII – A Era das Cruzadas (Parte I)

Os Papas do Século XII – A Era das Cruzadas (Parte I)


cruzadas
É isso aí meu povo!
Estamos iniciando aqui mais um momento fantástico dessa história fascinante contada através das vida dos nossos pontífices.
O século XII da Nossa Era é-me especialmente caro porque estão aqui plantadas as sementes da Santa Inquisição, assunto que me fascina a 25 anos ou mais, e ao qual dediquei grande parte de meus estudos. Foi estudando a Santa Inquisição que deixei de ser um idiota ateu anticatólico e passei a ver com clareza a luz da Santa Igreja.  Interessa-me, fique claro, a Santa Inquisição Medieval; nem adianta perguntar-me sobre Inquisição Espanhola, pois não sou especialista neste último assunto, muito embora tenha conhecimento suficiente para desqualificar esses professorezinhos boçais que andam por aí.
Deixando de lado a viagem egocêntrica, passemos a falar um pouco sobre os pontífices desse tempo interessante e um tanto quanto (para variar) turbulento.
Pascoal II - Sucedeu Urbano II. Este papa institui três das Ordens cavaleirescas mais famosas de todos os tempos: os Templários, de tão triste lembrança (saibam porque em breve, aqui nO Catequista), os Cavaleiros Teutônicos – dos quais fazia parte a famosa casa dinástica dos von Hohenzollern (calma, também falaremos mais dos Hohenzollern; adoro escrever esse nome; em futuro próximo) – e os Cavaleiros da Ordem de São João, mas conhecidos como Hospitalários.
Não associam o nome às pessoas? Observem, com certeza vocês já viram no cinema, num livro ou num museu uma representação de uma dessas três ordens. Vejam como é fácil distingui-las: Templários usam túnica branca com uma cruz vermelha; os teutônicos também usam uma túnica branca, mas a cruz é preta; já os hospitalários usam uma túnica negra com uma cruz branca, Fácil não? Mas chega de falar de personagens de RPG, seguimos falando do Papa Pascoal II.
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O imperador Henrique V pressionando o Papa Pascoal II
Um dos documentos históricos mais interessantes dessa época é a carta direcionada ao Santo Padre por Godofredo de Bouillon descrevendo a tomada de Jerusalém ocorrida em 1099, ano que Pascoal ocupou o trono de Pedro. Enquanto isso, no Sacro Império, Henrique V passou a mão na coroa de seu pai e, a partir daí, começou uma campanha para revogar muitas das reformas feitas pelo Papa São Clemente VII.
Pascoal II fechou os olhos para muitas investiduras (ordenações de bispos) ilegais e acabou tendo o povo contra si. Numa jogada popularesca, no dia de sua coroação oficial, Henrique V, sob pressão dos populares “botou na conta do Papa” as investiduras fraudulentas que ele fizera, que acabou encarcerado. O que Henrique queria era ter o poder de investir sua rapaziada como bispos, coisa que só o Papa poderia fazer. Bom, ocorre que, depois de dois meses, o Papa cedeu a pressão de Henrique V, que poderia colocar como bispo quem ele quisesse, desde que o Papa aprovasse sua indicação, o que, na prática, era apenas uma formalidade,  já que o Papa não queria ir pro xilindró de novo.
O Imperador Henrique V, se fosse hoje, seria o rei do bullying. Depois de dar o cuecaço em meio mundo, continuava em cima do Papa enchendo o saco. Exigiu que o Papa não o excomungasse (motivos tinha de sobra) . Na ocasião dos distúrbios em 1116 que obrigaram o Papa a sair da cidade e refugiar-se em Benevento, o Imperador ficou na dele. No ano seguinte, veio o Próprio Henrique V arrumar encrenca (veio e ficou, diga-se). Lá vai o Papa para Benevento de novo. Retornou para Roma apenas em 1118, pouco antes de sua morte. Faleceu silenciosamente em Castel Sant´Angelo. Foi enterrado na Basílica de Latrão, uma vez que a Basílica de São Pedro estava sobre poder das forças imperiais. Papa de 1099 a 1116,
Gelásio II – Pobre Papa foi esse senhor. Muita tormenta num papado curto. Eleito papa secretamente no Mosteiro de Santa Maria in Pallara, esse monge beneditino acabou logo depois preso e espancado pela família patrícia à qual tinha jurado lealdade.
Fora isso, quando o povo de Roma e as famílias aristocráticas conseguiram sua liberdade, o Papa acabou tendo que fugir, pois o Imperador “te pego lá fora” Henrique V estava a caminho para aplicar mais cuecaços.  Resultado: quando o Imperador quis chamar o Papa para um “papinho” (eita trocadilho ruim), este se recusou, o que levou nosso amigo Henrique a colocar um português – com fado, bacalhau, toucinho do céu e tudo mais – como antipapa.  Este assumiu o nome de Gregório VIII.
Gelásio II, então, fez o que era sua obrigação: excomungou Henrique V e o antipapa Gregório VIII e espalhou a notícia por todos os reinos da cristandade. Aí o bicho pegou! Uma exército com base em Capua se formou e levou a guerra até as forças de Henrique em Roma, que tratou de escafeder-se.  Mesmo sumindo, o Imperador deixou a cidade sobre o controle de seus exércitos. Para evitar um banho de sangue, o Gelásio II e seus bispos resolveram se retirar para Cluny, na França, local do qual o Papa não retornaria. Papa de 118 a 1119.
Calisto II – Esta é a era dos Papas “II”. Calisto II reafirmou a excomunhão de Henrique V. A coisa tava muito feia. Um imperador excomungado, naquele tempo, era considerado um grande m%¨&$%&%&%$&¨*&*(&*erda. Espiritualmente, podemos ver, o Imperador dependia muito do Papa. Os príncipes alemães, preocupados com esse estado de coisas, pediram que o Imperador começasse a negociar a situação melhor com o Papa.
Antes de continuarmos, vamos recapitular… Para não dizerem por aí que titio aqui não tá explicando direito, precisamos deixar claro o que foi a questão das investiduras. Então, abrimos aqui esse razoável parênteses:
Vem da época dos reinos visigodos a pretensão dos chefes temporais de nomear quem eles bem quisessem para ocupar os cargos eclesiais, controlar suas ações e, principalmente, colocar aí gente que dançasse de acordo com sua música, como tudo que vem do Estado (isso vale até hoje), onde a mãozinha podre de Reis, Duques e membros do PT pousa, apodrece. Só que Deus não abandona os seus: por volta de 900 surgiram ideais e centros de reforma católicos, cujo o mais famoso com certeza é a Abadia de Cluny (QG dos Cistercienses), de onde partem grupos renovadores para a Bélgica, Itália, Espanha, Inglaterra, etc.
A Abadia de Cluny foi fundada em 910 pelo P**** das Galáxias da época Guilherme, Duque da Aquitânia; foi doada para a Igreja durante o papado do monstrossauro Sérgio III, com a condição de que fosse administrada pelos monges. Isso era uma novidade já que, com essa base, em Cluny só tinha monge de primeiríssima linha. Seu exemplo pungente espalhou-se por todos a cristandade e seus monges eram convocados para mostrar como a coisa funcionava. Eles faziam mais ou menos uma espécie de workshop medieval de funcionamento de mosteiros.
Se observamos bem, a questão das investiduras (eleição de bispos), em que se levava em conta o interesse mais do Cappo local do que realmente a vocação da Igreja, é a base de muitos problemas, como simonia e “padres casadoiros”.  Claro que os historiadores boçais que enchem nossas cátedras da época do iluminismo até os dias de hoje tiram o peso da culpa do seu amado “Estado” e o jogam pra cima da Igreja. Pesem e pensem: quantos bispos safados os papas nem tinham a menor ideia que foram investidos? Era com essa sacanagem que São Leão IX estava lutando e que levou à reforma de Clemente VII.
Agora, acho que vocês, caros leitores desse  humilde blog, já têm um pouco mais de munição intelectual contra os sem-vergonha que querem atacar nossa Santa Igreja.
Voltando ao Papa Calisto II… Em 1122, o Papa assina a Concordata de Worms, que levava a uma definição essa questão das investiduras. Para tanto, Calisto assegurou ao “Imperador Bullying” a promessa de que não haveria investiduras sem a sua presença na Alemanha. No ano seguinte, durante o Concílio de Latrão, o Papa confirmou o postulado da Concordata de Worms e reafirmou a reforma promovida por São Clemente VII. Morreu em dezembro de 1124 e está sepultado ao lado de Pascoal II na Basília de Latrão. Papa de 1119 a 1124.
Honório II – Segura a onda gente, tem mais Papa “II” vindo por aí. Sobre Honório, pesa a acusação de que teria sido eleito através de suborno. Bem, isso não ficou muito claro para mim ainda, e prefiro não afirmar nem que sim nem que não. Fora isso, seu papado foi marcado pelas reformas. Foi um Papa bondoso e ajudou muito as ordens religiosas. Pregou também as virtudes morais e combateu o mal dentro da Igreja com todas as suas forças. Se todo Papa dessa época advindo de eleições ganhas com suborno fossem como ele…
Foi marcante no seu papado a concepção da ideia, vinda dos cônegos de Lyon, da Imaculada Conceição de Maria, ocorrida em 1125. Lamberto Scannabecchi (Honório II) foi um garoto pobre, um self-made man por assim dizer, estudou muito e conseguiu por mérito e esforço próprios as mais elevadas posições e funções da hierarquia durante os pontificados de Pascoal II e de Calisto II. Foi um dos signatário da Concordata de Worms e foi muito influente no Concílio de Latrão, que veio a ratificá-la (1123).
Foi eleito papa com o apoio da família Frangipane, após a morte (1125) do imperador Henrique V. Durante seu pontificado, o santo padre foi aos poucos reconquistando o terreno que o “Sr. Bullying” (pra quem não sacou – Henrique V) tentou abocanhar para si.
A tendência mafiosa dos italianos não deu sossego a Honório II. Os últimos meses de seu pontificado foram extremamente conturbados pelo acirramento das lutas entre os Frangipane, seus aliados, e os Pierleoni. Acuado, o papa  de número 164 refugiou-se no convento de S. Gregorio al Celio, onde morreu em 13 de fevereiro (1130), e foi sucedido por Inocêncio II, (olha outro “II” aí, gente!). Foi durante seu pontificado que surgiram na Itália as seitas dos Guelfos, partidários do Papa, e a dos Gibelinos, partidários do Imperador, mas isso ainda é uma outra história, como diria o cronista do Conan. Papa de 1124 a 1130.
Continua…
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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Santo Inácio de Antioquia Heróico pastor, mártir destemido

Vidas de Santos
Santo Inácio de Antioquia
Heróico pastor, mártir destemido



Discípulo do Apóstolo São João, bispo de Antioquia, um dos primeiros e mais ilustres Padres da Igreja
Plinio Maria Solimeo
Segundo antiga tradição, Santo Inácio de Antioquia foi o menino que Nosso Senhor Jesus Cristo abraçou quando disse:"Todo o que recebe um destes meninos em meu nome, a mim é que recebe; e todo o que recebe a mim, não me recebe, mas àquele que me enviou" (Mc 9, 37). [gravura à esquerda]. Pertence igualmente à tradição ter sido ele, com seu amigo São Policarpo, discípulo do Apóstolo São João.
Faltam-nos outros dados biográficos do santo. Felizmente, deixou ele sete cartas, todas consideradas autênticas. Além da manifestação de seu zelo pelas almas, elas oferecem alguns dados sobre sua prisão. Junto com as cartas, chegou-nos dos tempos antigos um relato de seu martírio (The Martyrdom of Ignatius), provavelmente escrito por Philo (um diácono de Tarso) e por Rheus Agathopus, um leigo sírio que acompanhara Santo Inácio em sua prisão até Roma. Muitos historiadores o consideram autêntico, no entanto crêem ter havido nele várias interpolações. Tomaremos como base esse relato e as cartas do santo.(1)
Antioquia, a "capital do Oriente"
Santo Inácio foi o terceiro bispo de Antioquia — logo depois de São Pedro e Santo Evódio — sagrado diretamente por um dos Apóstolos, provavelmente o próprio São Pedro.
Antioquia situava-se às margens do rio Orontes, localizada então na Síria, e corresponde hoje à moderna Antakya, na Turquia. Fora fundada em fins do século IV a.C. por Seleuco I, e Nicanor tornou-a capital de seu império. Ocupa lugar de destaque na história do cristianismo. São Paulo pregou pela primeira vez numa sinagoga em Antioquia, e nela os seguidores de Jesus Cristo tornaram-se conhecidos como "cristãos" (At 11:26). Era a terceira cidade do Império Romano, logo depois de Roma e Alexandria. Devido à sua situação e às relações comerciais, era considerada a capital do Oriente.
Um pastor, líder preparado e atento
Ruínas da antiga Antioquia
Estava Santo Inácio ocupado em seus afazeres episcopais quando o imperador romano Domiciano (81-96) — o primeiro a deificar-se, assumindo o título de "Senhor e Deus" — apresentou-se como regenerador da moral e da religião (pagã) do império, apesar de seus vícios na vida privada. Como tal, empenhou-se em "cortar pela raiz a religião dos galileus", então florescente em várias partes do império.
"O bispo de Antioquia possuía em grau eminente todas as melhores qualidades do pastor ideal e do verdadeiro soldado de Cristo. Desse modo, quando a tormenta da perseguição de Domiciano eclodiu com fúria sobre os cristãos da Síria, encontrou seu fiel líder preparado e atento. Ele era incessante em sua vigilância, e incansável em seus esforços para inspirar esperança e fortalecer as mais fracas de suas ovelhas contra os terrores da perseguição".(2)
Quando cessou essa tormenta com a morte de Domiciano, sobrevindo relativa paz, Santo Inácio procurou preparar seus fiéis para uma nova possível perseguição, dando-lhes o exemplo de destemor e espírito sobrenatural com que deveriam enfrentá-la. Ressaltava que não há graça maior do que dar a vida por Cristo, que ofereceu sua vida por nós.
Eloqüência, coragem e martírio
Ascendeu ao trono imperial Trajano (98-117), um dos mais hábeis imperadores romanos, que estendeu as fronteiras do Império para além das margens do Reno até às do Danúbio, promoveu o comércio e a indústria e fez grandes edificações para seus serviços administrativos. Apesar de tão vasta visão administrativa, esse imperador considerava o cristianismo como crime punível de morte.
    Ensoberbecido pela vitória contra os síncios e os dacianos, Trajano procurou obter também uma conquista religiosa no Império. Para isso determinou que todos os cristãos deveriam unir-se aos pagãos na adoração dos deuses imperiais, e seriam perseguidos e levados à morte os que a isso se negassem. Entretanto, devido a um farisaísmo mal disfarçado, não admitia delações. E Tertuliano, famoso escritor eclesiástico que viveu entre os séculos II e III, exclama a propósito dessas medidas:"Proíbe-se buscar os cristãos como sendo inocentes, mas se os condena como culpáveis. Perdoa-se e se castiga. Não é isso uma contradição palpável?".(3)
Trajano visitava Antioquia quando seus editos foram publicados, e quis pô-los em execução imediatamente ali mesmo. Evidentemente a figura de Santo Inácio era a que mais se destacava entre os cristãos, e ele foi preso e levado à presença do imperador. Seu testemunho da fé diante de Trajano, de acordo com o relato, foi caracterizado por inspirada eloqüência, coragem sublime, e mesmo certa exultação. Mas isso não impressionou o imperador. Pelo contrário, este ordenou que o acorrentassem e o enviassem a Roma, para ser alimento das feras e um espetáculo para o povo.
"Vou lutando contra feras, por terra e por mar"
É provável que o santo tenha embarcado em Selêucia, o porto mais próximo de Antioquia. Em Esmirna, onde São Policarpo era bispo, cristãos de várias comunidades da Ásia Menor foram saudá-lo. Entre eles estavam cristãos de Éfeso, Magnésia e Trales, que o foram confortar. Para cada uma dessas comunidades ele escreveu, confirmando-as na fé, exortando-as à obediência aos respectivos bispos e a evitarem qualquer contaminação com a heresia. Essas cartas revelam sua extrema caridade cristã, seu zelo apostólico e suas preocupações pastorais.
Em sua carta aos Romanos, escrita durante uma parada em Esmirna, o ínclito herói de Jesus Cristo diz: "Da Síria mesmo até Roma, vou lutando contra feras, por terra e por mar, de dia e de noite, encadeado entre dez leopardos, quer dizer, um bando de soldados que me custodiam, e que, mesmo quando recebem benefícios, mostram-se ainda piores. Entretanto, sou instruído por suas injúrias [para agir como um discípulo de Cristo]; 'contudo não sou por isso justificado' (1 Cr 4, 4).Possa eu gozar com as feras que estão preparadas para mim. E rezo para que elas possam estar pressurosas em atirar-se contra mim, pois eu também procurarei atraí-las para que me devorem depressa, e para que não ajam comigo como com alguns a quem, por medo, não tocam".(4) Suplicou-lhes também que nada fizessem para evitar seu martírio.
Em outra interrupção da viagem, em Troas, escreveu aos cristãos de Filadélfia e Esmirna e a São Policarpo.
"Eu sou o trigo de Deus, deixe-me ser moído"
Tendo chegado a Roma, dizem os autores do relato: "Encontramos os irmãos [na Cidade Eterna] cheios de temor e de alegria, regozijando-se de fato, porque foram julgados dignos de se encontrar com Teóforos [nome que Santo Inácio atribuía a si mesmo em suas cartas], mas também com temor, porque homem tão eminente estava sendo levado para a morte".(5) O santo confortou esses destemidos cristãos, exortando-os a permanecer fiéis à sua fé e ao amor fraterno. Ajoelhando-se com eles, suplicou ao Filho de Deus que protegesse suas igrejas e terminasse a cruenta perseguição. Mas foi interrompido por seus carcereiros e levado imediatamente para o anfiteatro, para ser devorado pelas feras.
Martírio de Santo Inácio
Quando os animais se precipitaram sobre o herói de Cristo, seu pensamento deve ter-se firmado no que ele escreveu em sua carta aos Romanos: "Eu sou o trigo de Deus, deixe-me ser triturado pelos dentes das feras selvagens, para que possa tornar-me um puro pão de Cristo. [...] Que venham sobre mim o fogo e a cruz; a multidão de feras selvagens; o rompimento, a quebra e o deslocamento de meus ossos; que venham sobre mim o decepamento de meus membros, a fragmentação de todo meu corpo, e todos os espantosos tormentos do demônio, contanto que eu chegue a Jesus Cristo".(6)
Os autores do relato o concluem do seguinte modo: "Tendo sido testemunhas oculares dessas coisas, e tendo passado a noite inteira em casa derramando lágrimas, e tendo conjurado o Senhor, com os joelhos dobrados e muitas preces, para que Ele nos desse, a nós homens fracos, uma garantia a respeito desses fatos, ocorreu que, tendo caído numa breve sonolência, alguns de nós viram o bem-aventurado Inácio de repente, de pé junto a nós e abraçando-nos; enquanto que outros o contemplaram rezando por nós, e outros ainda o viram junto do Senhor, transudando suor, como se tivesse vindo naquele momento de um grande trabalho. Quando, desse modo, testemunhamos com grande alegria essas coisas, comparando nossas várias visões, cantamos louvores a Deus, o doador de todas as coisas".(7)
O martírio de Santo Inácio de Antioquia, cuja festa se comemora no dia 17 deste mês, deu-se no 11º ano do reinado de Trajano, isto é, por volta do ano 110.
___________
Notas:
1. Utilizamos esses documentos contidos no CD da organização americana New Advent (www.NewAdvent.org), Kevin Knight, 2007.
2. John B. O'Connor, St. Ignatius of Antioch, The Catholic Encyclopedia, CD edition.
3. In Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madri, 1945, tomo I, p. 211.
4. The Epistle of Ignatius to the Romans, cap. 5, New Advent CD.
5. The Martyrdom of Ignatius, cap. 6, New Advent CD.
6. Epistle to the Romans, caps. 4 e 5, New Advent, CD.
7. The Martyrdom of Ignatius, cap. 7, id., Ib.


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Papas do Século XI (parte II) –

Papas do Século XI (parte II) – Pontificado de bêbado não tem dono!


Um papa que vendeu o seu poder pontifício quando estava bêbado; um santo peregrino que foi eleito papa por aclamação popular; papas que bateram firme no comércio de bens espirituais por parte do clero e no envolvimento de sacerdotes com mulheres; um papa que abriu caminho para as cruzadas e outro que as estabeleceu.  A seguir, você conhecerá estas histórias e muito mais. Fique de olho em mais este episódio da biografia dos papas do século XI!
Bento IX - Sobrinho dos antecessores. Perigo, perigo! Outro Papa tchutchuco, tinha apenas 20 anos quando foi colocado no Trono de Pedro.
adriano_bebida_1Esse papado foi uma confusão só. Eleito três vezes, Bento IX foi destituído em duas ocasiões! O problema é que ele era mais Teofilacto do que Papa, e fazia o que sua detestável família queria. Além disso, era um completo ignorante dos deveres de um Papa – em outras palavras, não passava de um moleque mimado, mal saído dos cueiros.
O primeiro chute que recebeu no traseiro deu-se durante uma revolta popular em 1038. Caindo fora, refugiou-se num mosteiro e voltou em seguida. Deve ser o papa mais xingado da história junto com o “trio demônio” Sérgio III, João XII e Alexandre VI. Era um degenerado (palavras da enciclopédia católica) e um tremendo cretino. Sua primeira abdicação deu-se em 1044 e, em seu lugar, foi levado ao sólio de Pedro o papa Silvestre III. Este foi papa por meros 50 dias, já que o Conde Tusculum colocou Bento IX de volta no trono.
A segunda destituição de Bento IX foi tão ridícula que só rindo mesmo; daquele tipo de façanha digno de um João XII. Bebaço, o papa VENDEU o que não lhe pertencia, isto é, o seu título de Bispo de Roma para seu padrinho João Graziano, que adotou o nome de Gregório VI. Essa gracinha levou ao paradoxo total de haver três papas coexistindo: Bento IX, Silvestre III e Gregório VI.
quatro papasO Imperador Henrique II foi a Roma para ser coroado.  Mas por quem?  Fazendo um uni-duni-tê reconduziu o papa Bento IX de volta ao trono – esse foi o Sínodo de Sutri. O problema é que, quatro dias depois daquele Sínodo, outro foi realizado em Roma, e Bento IX caiu novamente. Como o Imperador estava com saudades de sua cerveja alemã e não devia gostar muito de salsichas italianas, para piorar a situação, arrumou ainda um outro papa (é mole ou quer mais?), Suidger de Bamberg, que adotou o nome de Clemente II.
Enfim, dentro desse caos, com a inacreditável coexistência de QUATRO PAPAS (!!!), Bento IX foi reempossado pela última vez em 1048, mas foi obrigado a cair fora logo em seguida pelo Imperador.  Bento partiu para sua terra natal e, um ano depois, foi convocado a Roma para responder acusações de simonia (venda de bens espirituais); como ele não apareceu, foi excomungado. Provavelmente morreu entre o fim de 1055 e o início de 1056. Papa de 1032 a 1044 com váaaaaarias interrupções.
Silvestre III - Ficou 50 dias no poder antes de ser destituído pelo Conde de Tusculum e pelo papa Bentinho, o moleque.  Silvestre III voltou, então, às suas obrigações como Bispo de Sabina. Em 1046 foi condenado pelo Concílio de Sucri, confinado e despojado de suas ordens sacras.  Não temos fontes confiáveis, mas parece que Silvestre III teve a cassação revogada e voltou a suas obrigações como bispo em Sabina.  Papa em 1045.
Gregório VI - Esse aqui era padrinho do Bentinho IX. Durante essa bagunça toda dos papas paralelos, foi com certeza o “menos ruim” do período.  Lutou para estabelecer a ordem em meio ao caos criado pelo imperador e por Bento IX.
Foi Gregório VI que instituiu o exército pontifício para libertar e proteger os territórios da Igreja. Obrigado a deixar o trono pelo imperador, partiu para Colônia com seu capelão e futuro papa Gregório VII, onde passou seus últimos dias em oração, como monge. Papa de 1045 a 1046.
Clemente II - Clemente II instituiu algumas inovações em seu curto papado. Uma deles foi a penitência de 40 dias para sacerdotes nomeados por bispos pegos em simonia.  Sua morte se deu de repente, e suspeita-se que tenha sido envenenado, já que Bento IX rondava por ali.
Politicamente, Clemente II deu ao imperador uma importância política decisiva para a eleição do Papa, o que na prática aumentou não só a influência política do papado, mas também seu poderio militar. Papa de 1046 a 1047.
Dâmaso II - O que podemos falar do papa Dâmaso II?  Morreu de malária.  Nada pôde realizar, ficando no Trono de Pedro apenas 23 dias. Seu nome de nascimento era Poppo e foi bispo de Brixen até o momento que o Imperador resolveu transformá-lo em Papa. Papa em 1048.
cisma do orienteSão Leão IX - Antepassado espiritual de João Paulo II, esse grande papa era conhecido como “O Papa Peregrino”: ia aonde o povo estava mesmo.  Chegou a Roma como simples peregrino, foi saudado pelo povo e coroado.
Suas principais lutas foram contra a simonia e o nicolaísmo, heresia que pregava, entre outras coisas, o casamento dos clérigos. Atacou também os bispos-condes (bispos com grande poder temporal), o que é visto como causa de sua prisão em Benevento. Muito embora não tenha sido maltratado, Leão IX sentia-se triste e fadigado, vindo a falecer não muito depois de seu retorno a Roma em 1054.
Logo após a sua morte, o enviado papal em Constantinopla, Humberto de Silva, excomungou o patriarca em nome do Papa Miguel I (ato considerado ilegal, já que Leão IX já havia falecido e não se tinha ainda escolhido seu sucessor), que como resposta excomungou o Papa (ou seja, não excomungou ninguém).  Esse momento é conhecido como O Grande Cisma do Oriente, marco do afastamento em definitivo dos cristãos orientais. Papa de 1049 a 1054.
Vitor II - Foi o último papa chucrute até a eleição de Bento XVI.  Também foi o último dos papas impostos pelo Imperador Henrique III. Dedicou-se ao combate à simonia, seguindo os passos de seu antecessor. Destacou-se também no combate à transferência das propriedades eclesiásticas.
Em seus últimos dias, reuniu um sínodo em Latrão que, depois, foi transferido para a Toscana. Morreu de malária e, juntamente com a morte do Imperador Henrique III, terminava com ele a reforma imperial e papal, depois de um período de 10 anos. Papa de 1055 a 1057.
dengue_xuxaEstêvão IX – Frederico de Lorena (nome de batismo deste papa) pouco fez, tendo também sido vitimado pela malária. Sua eleição não foi comunicada ao Imperador – já que este ainda era uma criança –, sendo mais tarde sido ratificada retroativamente.
Sua eleição tinha por objetivo principal evitar que os barões romanos voltassem a ter influência na eleição do pontífice como na época dos Teofilactos e dos Crescentii.  Estêvão IX estava em viagem ao Sul da Itália para firmar uma aliança contra os normandos, quando a malária o pegou. Papa de 1057 a 1058.
Nicolau II – O grande marco do papado de Nicolau II foi a bula In Nomine Domini, que instituiu que a eleição do Papa seria restrita dali em diante aos cardeais. Era um golpe fatal na simonia, que estava sendo um calo difícil de curar no pé da Santa Igreja.
Durante sua eleição, deu-se um conflito entre os reformistas (legados de São Leão IX e do Imperador Henrique III) e os antirreformistas que elegeram um antipapa, o bispo de Valletri, João (Bento X). A bagunça aumentou quando um grupo de bispos germânicos declarou nulos os atos do papa Nicolau II (com autoridade advinda de onde, bwana?). Nicolau II não teve tempo de lidar com as repercussões, vindo a falecer em julho de 1061. Papa de 1059 a 1061.
Alexandre II - Adotando a linha reformista, durante seu pontificado, Guilherme, O Conquistador, invadiu a Inglaterra e teve suas ambições contra o Rei Haroldo apoiadas pelo Papa. Deu-se aqui a famosa Batalha de Hastings.  Alexandre II não havia tido sua eleição ratificada pelo Imperador do Sacro Império Romano Germânico, que então elegeu um antipapa, Honório II. Este contou com o apoio da nobreza de Roma, e o papa Alexandre foi deposto em 1062.
Pelo papa legítimo, lutou o duque de Lorena que, com uma força militar muito superior, chegou aplicando uma voadora bonita na aristocracia romana. O duque persuadiu Alexandre II e o antipapa Honório a voltar para suas dioceses originais enquanto se decidia a questão. Alexandre teve ganho de causa, mas Honório o excomungou.  Briga daqui e briga dali, o papa Alexandre II passou a caneta em um monte de bispos acusados de simonia (venda de bens espirituais), inclusive cinco de seus seis conselheiros. Dá pra se ver que as coisas não corriam bem. Papa de 1061 a 1073.
cabra machoSão Gregório VII - Foi um cabra macho. Este beneditino, nascido na Toscana com o nome de Hildebrando, conseguiu o que muita gente julgava impossível: botou ordem na bagunça de uma vez por todas. Morto Alexandre II, Hildebrando foi aclamado como o novo Papa.
Gregório VII foi secretário do falecido papa Gregório VI, e foi ao lado dele que este grande homem começou a caminhar pela seara que levaria à sua grande reforma da cristandade católica. Em seu papado, ele instituiu valores que perduram até os dias de hoje, entre eles, a determinação de que nenhum outro patriarca poderia mais ostentar o título de Papa além do Bispo de Roma. Eis aqui umas das primeiras realizações de São Gregório VII.
Os 27 axiomas de sua reforma estão publicados no seu Dictatus Papae, que objetivamente define o papel do pontífice na sua relação com os poderes temporais, especialmente com os imperadores do Sacro Império e suas manias de cientista-maluco-que-quer-dominar-o-mundo. Vamos resumí-las da seguinte forma:
  • o Papa é senhor absoluto da Igreja, estando acima dos fiéis, dos clérigos e dos bispos, e acima das Igrejas locais, regionais e nacionais, e acima dos concílios;
  • o Papa é senhor único e supremo do mundo, todos lhe devem submissão incluindo os príncipes, reis e imperadores;
  • a Igreja romana não cometeu nunca erros;
  • quer resolver um problema? Fale com Roma. Tem um padre chato te azucrinando? Fale com Roma.
Óbvio que muita gente não gostou. E a velha luta contra a simonia e a fornicação de clérigos continuava. Posso dizer que Gregório VII foi o Papa da época que mais partiu pra dentro contra essas coisas. Bateu onde mais doía, no bolso, cortando os rendimentos dos “Dons Juans de batina” (padres que insistiam em se casar). Fez o que precisava ser feito e pagou caro por isso, morrendo só e esquecido até pelos seus colaboradores mais próximos. Papa de 1073 a 1085. Foi canonizado pelo Papa Paulo V em 1606.
Vítor III, Bem-aventurado – Foi um grande partidário de São Gregório VII. Seu nome era Desidério e foi resistente à sua própria eleição.
Foi com Vítor III que surgiu a ideia das Cruzadas – com sua proposta de uma ação militar contra os muçulmanos no Norte da África – porém seu curto papado foi muito tumultuado e marcado pela presença do antipapa Clemente III, em um momento da história do papado que lembra muito filme de bang-bang barato. Os tumultos entre os partidários de Papa e do seu rival davam-se rua a rua.
No final, Vítor III saiu da cidade e retornou à sua diocese em Monte Cassino. Com a saúde muito abalada, esse bom homem não chegou a retornar ao seu trono por direito, estando sepultado naquela cidade. Foi beatificado por Leão XIII em 1887. Papa em 1087.
cruzadasUrbano II - Os detratores da Igreja adoram chamar o Papa Urbano de “monstro cruel responsável pelas atrocidades das Cruzadas”. Isso é papo de idiota. Para começo de conversa, o Papa Urbano só reagiu. Já fazia tempo que a turma do charutinho de repolho tava pedindo.  Esse papinho de marxista querendo dar um de defensor dos pobres arabinhos só me dá nojo.
Então vejamos: Urbano II convocou os cristãos a uma guerra contra os muçulmanos, a fim de reconquistar Jerusalém, porque o nível humilhação pelo qual os peregrinos passavam já não podia ser mais tolerado.  Muitos papas anteriormente fizeram vista grossa. A turcaiada tava doida pra conquistar a Europa, ou vocês acham que a queda de Constantinopla não teria acontecido muito antes se não fossem as cruzadas? Fora isso, como você acha que um turco tratava um maronita (católico oriental)?
O papa Urbano teve ainda que lidar com problemas internos, como o Imperador Henrique IV nos seus calcanhares. Este chegou a exilá-lo e lhe obrigou a entregar o poder ao antipapa Clemente III. Jerusalém foi retomada pelos cruzados, mas a notícia não chegou a tempo para o velho papa. Seu papado vai de 1088 a 1099.
*****
A seguir: os papas do século XII.
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Papas do Século XI (parte I) – tirando o pé da lama

Papas do Século XI (parte I) – tirando o pé da lama

E aí meu povo, estamos de volta.
Depois das coisas terríveis acontecidas durante a pornocracia no século X e do dobrado pelo qual passou a Igreja durante os primeiros tempos do Sacro Império Romano, chegamos ao século XI.  Poderíamos achar que a decadência espiritual do século anterior afundaria a Igreja, mas o que se deu foi justamente ao contrário: sua autoridades espiritual se fez mais e mais presente no mundo, e suas obras a partir desse século foram responsáveis por toda estruturação da sociedade ocidental.
O professor de história medieval da Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO), Paulo André Parente, em uma de suas aulas disse: “a hegemonia espiritual da Igreja Católica no Ocidente durante a Idade Média, se existiu, deu-se tão somente no século XI”.  Entenderam? Mais uma prova de que a propalada “hegemonia” – ou seja, aquele velho papinho de que a Igreja Católica era toda-poderosa e tinha um mega poder na Idade Média – deu-se apenas durante um curto período, não cabendo aos detratores ficarem destilando suas bobagens por aí.  A Igreja de Nosso Senhor Jesus sempre teve que lutar, lutar muito contra as mazelas do mundo.
Então vamos aos Papas do século XI.
papa_silvestre_ii_inventorSilvestre II – Vive la France! Gerbert D’Aurillac foi o primeiro Papa francês da história. Sucedeu Gregório V, sendo muito querido do Imperador Oto III, que foi seu aluno 20 anos antes. Monge beneditino, Silvestre II foi um grande intelectual. Atribui-se a ele a invenção do relógio mecânico, dando prosseguimento aos ideais de São Nicolau.
Esse papa foi um dos principais idealizadores da universalidade da Igreja - ou seja, a grosso modo, podemos dizer que ele desejava que a Igreja fosse mais “católica” do que “romana”.
Bom, a rapaziada em Roma não curtiu muito a ideia de universalidade – afinal, eles temiam perder o seu poder de influência local – e, de forma não muito delicada, retiraram tanto o Papa quanto o Imperador da Cidade Eterna, a qual o pontífice retornou em fevereiro de 1001.
Reparem que esse foi o Papa do milênio, época em que muita pitonisa, assim como aconteceu no ano 2000, previa o fim do mundo. Denunciou a simonia (venda de bens espirituais), o nepotismo, as violações do celibato e possibilitou aos monges a eleição do abade dentro do monastério. Foi sepultado na Basílica de Latrão. Papa de 999 a 1003.
João XVII - Era um passo para frente e outro para trás.  João XVII foi um papa daquele tipo “nada a acrescentar”. Colocado no trono de Pedro por João Crescentii – Capo dos Crescentii, a poderosa família romana – seu papado durou apenas seis meses.
Sobre esse papa pairam mais dúvidas que certezas. Reparem que não falei de nenhum papa João XVI. Isso ocorre porque entre João XV e XVII houve o antipapa João XVI, e João XVII embarcou nessa contagem furada. Em outras palavras, oficialmente, não existe um papa João XVI. A única coisa interessante ocorrida nesse curto período foi o início da evangelização dos eslavos (para quem não sabe: poloneses, sérvios, russos, bogomilos etc.). Papa de maio a novembro de 1003.
papa_joao_XVIIIJoão XVIII – Durante o pontificado de João XVIII, os Crescentii deram mole e Gregório Tusculano – chefe da tenebrosa família Teoficalto – assumiu o poder temporal da cidade. Nos bastidores, se tramava um retorno aos tempos negros de Marózia Teofilacto.
Gregório apoiou o papa João XVIII, mas tencionava colocar no trono de Pedro um de seus filhos – não o fez por serem ainda crianças. Dessa vez, o Espírito Santo deu à Santa Igreja um grande Papa. João XVIII foi um grande realizador e trouxe a paz em vários territórios sobre influência da Igreja Católica. Era um lutador, e insistiu para espalhar o cristianismo nos lugares onde o paganismo ainda era uma realidade viva.  Canonizou santos mártires poloneses e insistiu no trabalho iniciado por João XVII.
Velho e cansado, abdicou do trono e foi viver seus últimos dias como monge na Basílica de São Paulo Fora-dos-Muros, servindo aos mais humildes. Durante seu pontificado a cristandade uniu-se como a muito não se via.  Embora essa situação tenha esboroado com a morte de João Crescêncio, que era simpático aos bizantinos. Papa de 1004 a 1009.
Sérgio IV – Chamava-se Pietro Boccapecora. Mudou seu nome para Sérgio para não ser confundido com o Santo Apóstolo.
Realizava um bom papado quando, em 1012, durante uma revolta, veio a falecer. Suspeita-se que tenha sido assassinado juntamente com o chefe da família Crescêncio, João II. Foi sepultado na Basílica de São João de Latrão.
Bento VIII – EITA! Olha aí… Outro Papa Teofilacto! Isso mesmo, Bento VIII era Teofilacto, da família ascendente tusculana (se você não conhece a história dos Teoficalto, clique aqui para entender). E, para piorar, Bento VIII inaugurou uma série de três papas leigos, todos Teofilactos. Era um milicão, um tipo de “seu puliça”.
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O papa Bento VIII em ação
Apesar do que possa parecer, não foi um mau papa.  Era rígido e defendeu com unhas e dentes as propriedades eclesiásticas e os direitos espirituais da igreja contra abades engraçadinhos que achavam que podiam fazer o que lhes desse na telha.  Chutou de volta os sarracenos para longe das praias italianas.  Era severíssimo no que tange à questão do celibato, inclusive reduzindo à servidão subdiáconos “casadoiros”.
Está sepultado na basílica de São Pedro. Papa de 1012 a 1024.
João XIX – Era irmão do antecessor, ou seja, outro Teofilacto. Quando se lembra de um certo sobrinho neto desse Papa que usava o mesmo nome (João XII), chega a dar arrepios! Passou de leigo a Papa no dia de sua eleição (pra lá de ilegal). Nunca esteve tranquilo, vide o passado da família e a sua eleição.
Chovem acusações contra seu pontificado, principalmente de simonia, mas nada nas fontes leva a crer na veracidade das acusações. Papa de 1024 a 1032.
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Já pensou se houvessem quatro papas coexistindo – validamente eleitos – em vez de um só? Impensável, não? Contaremos esta e outras histórias na parte II sobre os papas do século XI. Acompanhem!
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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Papas insensatos da Renascença – Sisto IV Por Paulo Ricardo em 15/10/2013

Papas insensatos da Renascença – Sisto IV


game_thronesE aí meu povo,
O tema dessa nova série de posts é possível de ser resumido em uma palavra: insensatez. Foi ela que permeou os pontificados dissolutos dos seis papas da Renascença, pelos quais, ainda pagamos hoje. Foi por meio dela que o papado deu um tiro no próprio pé, preparando o terreno fértil em que as ideias de Martinho Lutero seriam semeadas, germinadas e difundidas.
Nosso corte temporal é um período de 60 anos: de 1470 a 1530 foram oito papas, mas somente seis deles nos interessam. São eles Sisto IV, Inocêncio VIII, Alexandre VI, Júlio II, Leão X e Clemente VII. Os outros dois não serão analisados, apenas citados, isso porque um ficou no Trono de Pedro apenas 26 dias e outro estava mais para cativo do que para Papa.
Pode-se considerar muito da loucura desses 60 anos resultado direto do exílio de Avignon, no século XIV. Esse fato foi o responsável pela politização da Santa Sé, de acordo com suas conveniências. Os reinos europeus ficavam vendendo sua lealdade para um ou outro lado, a partir do cisma de 1378 – que estabeleceu um papa em Roma e outro em Avignon. Os papas caíram direitinho no jogo dos príncipes, envolveram-se em suas querelas e o resultado não podia ser outro que não o desastre total.
Quando a Santa Sé foi definitivamente restaurada, em Roma, no ano de 1430, os papas haviam se tornado príncipes ao modelo dos governantes de Gênova e Veneza – pirata da perna de pau, do olho de vidro, da cara de mau.
Durante a Renascença, o ideal de renúncia cristã foi abandonado, substituído pelo individualismo, que minou a submissão à palavra de Deus. Disso, resultou uma enlouquecida decadência do comportamento humano. Claro que coexistiam com a decadência moral a decência e a piedade. Tanto é que, caso assim não fosse, ninguém ia se importar com os escândalos da Santa Sé.
Aposto que seu professor de História, se tinha alguma coisa boa a falar dos Papas da Renascença, foi o fato deles serem patronos das artes – principalmente nos casos de Júlio II, Leão X e Clemente VII. Com relação a isso, “Seu professor de História NÃO mentiu pra você” ao caracterizá-los como puros humanistas. Eles são lembrados pelo mundo mais como patronos das artes do que como pastores das ovelhas do Cristo. Essa postura rendeu frutos patrimoniais e artísticos – nem tudo foi bola fora – mas, em matéria espiritual, esses papados foram uma bizarrice só.
Bem, vamos ao primeiro:
Papa SISTO IV
Na fase da Igreja que se iniciava depois dos problemas ocorridos durante o Papado de Avignon, esse foi o primeiro papa a aplicar a Lei do Gérson (“Gosto de levar vantagem em tudo. Certo?”). A sua eleição foi devida à hábil politicagem do seu, do meu, do nosso RODRIGO BÓRGIA, futuro Papa Alexandre VI.
Pessoalmente, Sisto era destemido. Destemido em seu mau-caratismo, diga-se de passagem. Era um nepotista contumaz e, para alimentar sua numerosa família nas tetas da Santa Sé, aumentou o Colégio Cardinalício. Em treze anos de pontificado nomeou 34 novos cardeais (o limite naquela época era de 24). A extravagância passou a ser característica da corte papal.
nepotismo
Uma família de novos ricos – os Della Rovere – ganhou destaque nesta época. Um deles, inclusive, viria a ser um dos Papas da Renascença e mecenas de Michelângelo. Muitas vozes levantaram-se contra os desmandos, principalmente os financeiros. Sisto então criou a Câmara Apostólica, formada por 100 advogados, responsável pelos interesses financeiros dos Estados Papais.
Teria Sisto sido tão ruim assim? Bom, houve coisas boas em sua administração. Ele revitalizou a Biblioteca do Vaticano, reabriu a Academia Romana e – seu principal legado – iniciou a construção da Capela Sistina, aquela que imortalizaria seu nome (sacou? SISTINA). Também inaugurou hospitais, igrejas e várias importantes reformas na Cidade Eterna. Era, realmente, um homem de seu tempo. Como tal, conduziu guerras – contra Veneza e Ferrara.
Mas de todos os seus atos, há um em particular que chama a atenção, pelas feições de romance policial barato: a dita Conspiração Pazzi, que pode ter sido posta em movimento pelos Salviati, banqueiros de Sisto, aliados aos Pazzi. A finalidade era matar os irmãos Médici – Juliano e Lourenço. O plano foi posto em prática na Páscoa de 1478. Juliano morreu, mas Lourenço escapou e, com o apoio do Rei de Nápoles, buscou vingança. O sangue jorrou: os Pazzi foram assassinados por Lourenço e sua turma, e arcebispo de Pisa, um Salviati, foi linchado até a morte.
chefao
A resposta do Papa Sisto IV não foi nada sutil. Excomungou não só Lourenço, mas toda a cidade de Florença. O desinteresse do Papa com questões espirituais, preferindo ocupar-se de questões seculares, fez aumentar o clamor pela convocação de um Concilio. Clamor esse que o Papa desconsiderava.
No último ano de sua vida, foi oferecido a Sisto um razoável programa, vindo de Tours (França), para combater o reformista Jean de Rely, que inflamava o povo contra o papa (é meus amigos, Lutero não era o único maluco, aliás, não se pode dar a ele nem a pecha de original).
Jean de Rely denunciava as questões fiscais, mas principalmente a prática ad commendam que, em Direito Canônico significa transferir um beneficium (terras aráveis, por exemplo) em confiança à guarda de um patrono. Acontece que essas transferências eram realizadas sem que o patrono, depois de entrar em posse dos bens, cumprisse com seus deveres para fazer o bem em questão prosperar. Tínhamos, então, verdadeiros vampiros, que sugavam o povo até não poder mais. Se o Papa resolvesse acabar com essa prática nefasta, teria muitos de seus erros menosprezados. Mas ele não o fez.
Poucos meses depois, morre Sisto IV. Para comemorar, os romanos entraram num período loucura total que durou cerca de duas semanas. Tumultos, saques e estupros pra todos os lados, tudo sob o patrocínio dos Colonna, perseguidos durante os dias de pontificado de Sisto e doidos para dar o troco. Lembram deles? Não? Ora, titio então vai recapitular brevemente a genealogia até agora dos posts dos Papas: a família Colonna era um ramo dos Tusculum, ligados aos TEOFILACTO, da triste lembrança dos Papas Sérgio III e João XII (ambos da casa dos Tusculum). Pareceu que os tristes dias do século X haviam retornado.
Acredito que, para aqueles que buscam a sua salvação em Cristo, esses posts aumentarão a certeza de que existe somente uma Igreja sob a governança do Espírito Santo: a Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Ela, que outrora aturou um Sérgio III, um João XII, um Libério, e depois sobreviveu aos Papas da Renascença, não será destruída jamais.
O nome do livro em que eu me baseio é “A Marcha da Insensatez”, de Bárbara Tuchman. Ao final desses posts teremos uma pequena bibliografia pra aqueles que quiserem se aprofundar mais no assunto.
Por enquanto é só meus amigos. No próximo post falaremos do Papa Inocêncio VIII. Fiquem na paz de Deus!
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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

CRISTÃOS ESTÃO SENDO DECAPITADOS NA SÍRIA

CRISTÃOS ESTÃO SENDO DECAPITADOS NA SÍRIA


Esta é uma da coisas mais repugnantes e desumanas que se tem conhecimento na atualidade. Como conhecedor da História da Igreja(ainda que não seja um especialista), jamais imaginem que na era moderna teríamos a visão estarrecedores do martírios de cristãos como nos primeiros séculos da Igreja. Mas, por mais chocante que isso possa parecer, Cristãos estão sendo decapitados na Síria.
Esta é uma da coisas mais repugnantes e desumanas que se tem conhecimento na atualidade. Como conhecedor da História da Igreja(ainda que não seja um especialista), jamais imaginem que na era moderna teríamos a visão estarrecedores do martírios de cristãos como nos primeiros séculos da Igreja. Mas, por mais chocante que isso possa parecer, Cristãos estão sendo decapitados na Síria.
É uma página triste da História da nossa fé, uma pena que a maior parte da cristandade não esteja se dando conta da seriedade disso. Temos no Brasil total liberdade no exercício da nossa fé, ao ponto de sermos, muitas vezes, negligentes.
Que possamos olhar para esta tragédia e sermos mortificados com estes irmãos que estão dando sua vida pela sua verdadeira fé. Que o martírio destes cristãos possa nos ensinar alguma coisa em nossa jornada com Deus.(Adenilton Turquete)
Após a tomada da cidade de Maaloula, um novo capítulo tem sido escrito na situação de guerra que vive a Síria. De maneira intrigante, a grande mídia silencia sobre o massacre bárbaro e diário dos cristãos. Enquanto muçulmanos alauitas e sunitas brigam pelo poder, quem mais sofre são os cristãos.
Como em toda guerra, surgem muitas informações desencontradas, mas entre os relatos existe uma consistência. As tropas rebeldes, que lutam contra o governo de Bashar al-Assad, são treinadas pela Al Qaeda e financiadas indiretamente pelo governo dos EUA. Possivelmente por isso a “grande mídia” deixe a questão dos cristãos convenientemente de lado.
O fato é que milhares de pessoas têm morrido ao longo desses dois anos e meio de conflitos étnicos e religiosos. De maneira quase unânime, quando se fala ou mostra a morte de soldados leais ao presidente, elas ocorrem por fuzilamento. Quando são cristãos, a forma padrão parece ser decapitar e expor a cabeça em público.
A conquista de Maaloula pelos rebeldes foi marcante pois ali vivia uma das mais antigas comunidades cristãs do mundo, onde ainda se fala o aramaico, língua usada por Jesus . Situada a 50 quilômetros da capital Damasco, a pequena cidade de 3 mil pessoas ficou quase deserta. Estima-se que 80% da população, a maioria de cristãos ortodoxos e católicos, refugiou-se em cidades vizinhas. Mas não sem ver antes a maioria de suas igrejas e casas serem saqueadas, queimadas e ouvirem a ameaça que todo aquele que não se converter ao Islã teria a cabeça cortada.
O avanço dos rebeldes na área foi liderado por Jabhat al-Nusra, ligado a grupos jihadistas islâmicos. A liderança da Frente de Libertação Qalamon se mudou para a aldeia, agora cerca de 1.500 soldados de grupos liderados pela Al-Qaeda estão na pequena Maaloula.
A tomada da aldeia enviou duas fortes mensagens ao mundo: os rebeldes estão mais próximos que nunca de tomarem a capital e os rebeldes extremistas muçulmanos tentarão eliminar os cristãos da Síria.
Muitos dos habitantes que ficaram estão experimentando o horror diariamente. Segundo o site Sky News, da Inglaterra, esta semana três cristãos foram mortos em praça pública e seu enterro se transformou em uma verdadeira passeata de protesto. A grande concentração foi na parte antiga da cidade, que segundo a tradição foi onde o apóstolo Paulo parava em suas viagens até Damasco. O cortejo foi até a igreja ortodoxa Zaytoun, onde fizeram o culto fúnebre. Enquanto os sinos badalavam, partiram para o cemitério.
Mulheres vestidas de negro jogavam grãos de arroz no ar, uma forma tradicional de demonstrar luto. Um pequeno grupo tocava tambores e, em meio ao choro se ouviam gritos. Uma mulher perguntava: “É isso que vocês chamam de democracia… isso é o que o governo quer?”, enquanto um homem fazia gestos obscenos e gritava palavrões contra o presidente Obama e o premiê inglês David Cameron.
Hoje, outras imagens chocantes correram o mundo. São da cidade de Keferghan, onde quatro jovens cristãos foram decapitados publicamente. Um fotógrafo que não quer se identificar, fez imagens que foram publicados pelo site da revista Time. Embora a revista não confirme, outras fontes alegam que o que motivou a morte deles foi sua fé.

Ele fez uma narrativa breve, mas chocante, do que presenciou:
“Eu vi uma cena de crueldade absoluta: um ser humano sendo tratado de uma maneira que nenhum ser humano jamais deveria ser tratado… Eu não sei quantos anos a vítima tinha, mas era jovem. Eles o forçaram a ficar de joelhos. Os rebeldes ao seu redor liam os seus ‘crimes’ listados em um pedaço de papel. Eles o cercaram. O jovem estava com as mãos atadas. Ele parecia congelado. Dois rebeldes sussurraram algo em seu ouvido e o jovem respondeu de uma forma inocente e triste, mas eu não conseguia entender o que ele disse… No momento da execução, os rebeldes agarraram sua garganta. O jovem reagiu, mas três ou quatro rebeldes conseguiram imobilizá-lo. Ele tentou proteger a garganta com as mãos, que ainda estavam amarradas. Tentou resistir, mas os rebeldes eram mais fortes e cortaram sua garganta. Depois, levantaram a cabeça. As pessoas aplaudiram. Todo mundo estava feliz porque a execução aconteceu”.
Muitos estudiosos das profecias cristãos e muçulmanos acreditam que a s segunda vinda de Jesus está ligada à cidade de Damasco, capital da Síria. A crescente ameaça de guerra dos sírios contra outros países gerou uma série de análises nesse sentido.
Em comum entre as previsões está o iminente retorno de Cristo. Da parte dos cristãos, alguns apontam para Isaías 17:1. Para alguns, pode ser um prenúncio do Armagedom, a batalha final.
Entre os sírios prevalece a tristeza pelos milhares de mortos e feridos, mas para milhares deles a esperança na vida eterna se fortalece. As agências cristãs têm oferecido ajuda material, emocional e, acima de tudo, espiritual para os refugiados nos países vizinhos. Milhares de muçulmanos estão ouvindo o evangelho livremente, alguns pela primeira vez na vida. Existem muitos testemunhos de conversões.

Com informações de Sky News e Time via Gospel Prime

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Imaculada Conceição e Assunção – dogmas que exaltam Jesus Cristo

Imaculada Conceição e Assunção – dogmas que exaltam Jesus Cristo


primeira_pedra
São Joaquim e Sant’Ana eram marido e mulher. Nessa união foi gerada aquela que viria a ser a Mãe do Salvador. E, no exato momento em que Maria foi concebida no ventre de Sant’Anna, ela não herdou de seus pais a mancha do pecado original. Esse é o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria.
Uma confusão que o povo faz é achar que o termo “imaculada” se refere à ausência de sexo da concepção. Nada a ver! Maria foi concebida como qualquer outro bebê, por meio da união física de um casal; a diferença é que sua alma foi preservada por Deus da mancha (mácula) do pecado original. E assim ela não sofria com essa nossa “tendência ao erro”. Podia pecar, se quisesse? Claro que podia! Mas, se tivesse pecado (e não pecou), teria feito isso com plena consciência e pleno consentimento de sua vontade, assim como Eva antes da queda.
Em 1854, o Papa Pio IX definiu essa crença como dogma. Então quer dizer que os católicos só começaram a crer na Imaculada Conceição a partir dessa data? Não, de modo algum! Essa sempre foi uma crença amplamente aceita ao longo dos séculos, desde as comunidades cristãs primitivas. E, durante o papado de Pio IX a Igreja entendeu que tal fato deveria, necessariamente, integrar o conteúdo de fé essencial de todos os católicos.
A proclamação do dogma foi motivada especialmente pelos eventos relacionados à Medalha Milagrosa, em que a Virgem revelou à Santa Catarina Labouré como gostaria de ser invocada: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.
E, como todo dogma, possui fundamentos na Tradição e também na Bíblia, ainda que implícitos.
  • Jesus e Maria esmagaram a cabeça da serpente (venceram o pecado e a morte): “Eu porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e os descendentes dela. Estes esmagar-te-ão a cabeça e tu ferirás o calcanhar deles” (Gênesis 3, 15).
  • O Anjo Gabriel chamou a Virgem de “cheia de graça” (Lucas 1,28).
  • Santa Isabel disse que ela era bendita entre todas as mulheres (Lucas 1,42).
serpente_pesO dogma da Imaculada Conceição é a o desdobramento natural de outro dogma: Jesus Cristo é Deus. E sendo Deus, como poderia habitar o ventre de uma mulher pecadora? Afinal, por mais santa que uma pessoa seja, ela peca com frequência – “O justo cai sete vezes por dia” (Prov. 24,16).
Agora, vamos imaginar a gestação de Jesus, conforme a versão protestante. A jovem Maria de Nazaré, mulher marcada pelo pecado original, está carregando ninguém menos do que DEUS na barriga. E, sendo muuuuito boazinha, ela comete apenas um pecado venial por dia… à vezes dois. Em um dia fala mal de alguém, no outro perde a paciência com a vizinha, no outro sente preguiça e é desleixada com seus afazeres… E  assim se segue a gestação do Salvador, dia após dia: a jovem carregando o Menino DEUS dentro de si e pecando, pecando… Que tal, minha gente?
Ora, é perfeitamente lógico o ensinamento da Igreja de que o Pai preparou uma habitação digna para o Seu Filho. Ele só poderia habitar em um lugar perfeitamente santo; Sua Carne só poderia ser tecida no ventre de uma mulher sem pecado. Isso era o mais digno e conveniente.
Agora, vamos entender o fluxo: se Jesus é Deus, certamente foi gestado num ventre imaculado; se tal mulher era imaculada, logo ela foi concebida sem a mancha do pecado original; por consequência, ela jamais poderia ter a sua carne consumida pela terra. Sendo assim, ela entrou de corpo e alma dos Céus.
fluxo_dogmas
O dogma da Assunção de Maria foi proclamado em 1950 pelo Papa Pio XII. Alguns, influenciados pelos protestantes, pensam que a Igreja exagera no culto à Virgem. Mas, na verdade, os dogmas marianos não visam exaltar Nossa Senhora, mas sim, e sobretudo, o Seu Divino Filho.
Vamos pensar um pouquinho. Quem NÃO crê na Assunção, necessariamente, deve dizer que…
…Maria carregava a mancha do pecado original;
…Jesus foi gerado no ventre de uma pecadora (afinal, mesmo os mais santos pecam);
..ao fim de sua vida, Nossa Senhora teve seu corpo consumido pela terra;
…ou seja, o ventre que gestou o Filho de Deus (e Deus Ele mesmo) foi devorado pelos vermes.
Sou só eu que estou achando tudo isso muito estranho e incoerente? Como vemos, os dogmas são fundamentais para colocar os “pingos nos is”. Eles definem as questões centrais da fé católica e nos ajudam a enxergar o Rosto de Cristo com maior clareza, evitando interpretações puramente pessoais da Bíblia.
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