domingo, 12 de maio de 2013

Pra que “serve” um religioso enclausurado?


Pra que “serve” um religioso enclausurado?


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Parlatório do mosteiro das Irmãs Clarissas, no Rio de Janeiro.
Uma das modalidades de vida religiosa é a vida contemplativa em clausura. O monge ou monja vive retirado em um mosteiro, sem nunca sair (salvo algumas exceções). Especialmente no caso dos mosteiros femininos, quando recebem visitas ou participam da missa, as irmãs permanecem por detrás de uma grade.
Aqui, vou falar especificamente sobre a clausura papal, que segue as normas da Santa Sé, que determina que os monges e monjas vivam efetivamente separados do mundo. Não abordarei a clausura disciplinar, em que os religiosos têm a clausura como um conceito simbólico, e não vivem realmente enclausurados.
Tradicionalmente, costuma-se classificar os religiosos como:
  • “ativos” (freis e freiras não-enclausurados);
  • e “contemplativos” (monges e monjas enclausurados).
Os religiosos ativos, naturalmente, buscam ser “contemplativos na ação”. O problema é que, ao ouvir o termo “contemplativo”, alguns têm a impressão de que esses religiosos levam uma vida mole e só fiscalizam a natureza. Nada disso!
Allan Kardec era um dos que menosprezavam os religiosos contemplativos: “Mas vós, que vos retirais do mundo para evitar suas seduções e viver no isolamento, que utilidade tendes na Terra? Onde está vossa coragem nas provas, uma vez que fugis da luta e desertais do combate?” (O Ev. Seg. o Espiritismo, cap. 5, item 26). E ainda tem gente que acredita que esse sujeitinho era mesmo cristão…
Ao ver uma freira ou um frade cuidando dos pobres e doentes, o povo percebe de imediato a utilidade de sua ação. Porém, em relação aos irmãos de clausura, o grande bem que fazem não é reconhecido tão facilmente. Muitos católicos não fazem a menor ideia do sentido dessa vocação, nem imaginam as numerosas graças que os contemplativos derramam sobre o mundo.
O que fazem os religiosos de clausura?
Os contemplativos dão um testemunho poderoso e silencioso, que só os anjos veem.
  • Meditam sobre as coisas de Deus.
  • Oram em conjunto em diversas horas do dia, conforme a rotina da comunidade.
  • Trabalham na limpeza e manutenção do mosteiro.
  • Fazem penitência, conforme a disponibilidade de cada um.
  • Realizam trabalhos manuais para obter verbas e manter o mosteiro (confira o trabalho das irmãs do Carmelo de Santos).
  • Estudam.
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Irmã carmelita produzindo hóstias.
Perguntinha pra você: a sua mente está voltada para Deus em todas as suas atividades, e você reza tanto quanto gostaria? Pratica atos de mortificação (renúncias, sacrifícios) com frequência?
Pois é…
Os irmãos e irmãs de clausura nos compensam naquilo que falta a muitos de nós: oração e penitência. Eles adoram, meditam, se penitenciam e oram para sustentar aqueles que estão no mundo. A solidão permite uma vida de oração mais intensa, que é fonte de graças e santidade para toda a Igreja.
É a comunhão dos santos, amigos! Os méritos “gerados” por uma vida inteira dedicada à adoração de Deus são distribuídos aos homens, conforme a Sua misericórdia.
O que é ser contemplativo?
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Contemplar é voltar a mente inteiramente para Deus. É centrar o pensamento e o coração em Seu amor, em Seus mistérios, em Sua bondade, nos passos de Cristo sobre a Terra…


São muitos os que vivem com o pensamento voltado só para seus problemas, para seus afazeres e compromissos, ou, pior: para coisas más. Enquanto isso, quem contempla faz companhia a Jesus, que, assim, sabe que é amado é que não está só.
Para entender melhor o que é contemplação, é interessante ler sobre o momento em que a francesa mais amada do Brasil despertou para a sua vocação de religiosa contemplativa:
“Num domingo, ao olhar uma foto de Nosso Senhor na Cruz, fiquei impressionada com o sangue que caía de uma das suas mãos divinas. Senti grande aflição pensando que esse sangue caía no chão sem que ninguém se apressasse em recolhê-lo. Resolvi ficar, em espírito, ao pé da Cruz para receber o divino orvalho que se desprendia, compreendendo que precisaria, a seguir, espalhá-lo sobre as almas… O grito de Jesus na Cruz ressoava continuamente em meu coração: ‘Tenho sede!’.
“Essas palavras despertavam em mim um ardor desconhecido e muito vivo… Queria dar de beber a meu Bem-amado e sentia-me devorada pela sede das almas… Ainda não eram as almas dos sacerdotes que me atraíam, mas as dos grandes pecadores. Ardia do desejo de arrancá-los às chamas eternas…”
- Santa Teresinha do Menino Jesus. História de uma Alma

Irmãos e irmãs que estão no coração da Igreja

Qual é o sentido da vida religiosa contemplativa? Bem, a resposta vem da nossa santa das rosas:
“…a Igreja tem um corpo formado de vários membros e neste corpo não pode faltar o membro necessário e o mais nobre: entendi que a Igreja tem um coração e este coração está inflamado de amor. Compreendi que os membros da Igreja são impelidos a agir por um único amor, de forma que, extinto este, os apóstolos não mais anunciariam o Evangelho, os mártires não mais derramariam o sangue… Compreendi que o Amor abrangia todas as vocações (…).
“Ó Jesus, meu amor, encontrei afinal minha vocação: minha vocação é o amor.”
- Sta. Teresinha do Menino Jesus. História de uma Alma

Por esse caminho andaram São Bento, São João da Cruz, Santa Teresa D´Ávila, Santa Clara e tantos outros santos contemplativos de primeira grandeza.
Deus seja louvado pela vocação daqueles que vivem para amar o próprio Amor, e assim espalham as graças do coração de Jesus para o mundo inteiro!
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quinta-feira, 9 de maio de 2013

O Véu da Verônica – 2: O que dizem os cientistas


Ciência confirma a Igreja


Posted: 28 Apr 2013 02:30 AM PDT
Manoppello, santuário do Véu da Verônica
Manoppello, santuário do Véu da Verônica
[Continuação do post anterior]
Como chegou a Manoppello

O Padre Pfeiffer S.J. defende que o Véu da Verônica chegou a Constantinopla no ano 574, proveniente de Cesárea, e após relatar diversos episódios históricos, conclui que ele foi enviado secretamente a Roma.

De fato, documentos atestam que o Véu estava em Roma pelo menos desde o século XII. O Papa Inocêncio III (1198-1216) incentivou muito seu culto, instituiu-lhe uma procissão anual e concedeu indulgências a seus devotos.

O Véu permaneceu exposto durante muitos séculos na Basílica de São Pedro. Conservam-se desenhos e gravuras de seu riquíssimo altar. O poeta Dante Alighieri (1265-1321) fala dele na Divina Commedia, no canto XXXI do Paraíso (Versos 103-111).

Porém, por ocasião da demolição da referida basílica medieval para dar lugar à atual renascentista, durante o pontificado do Papa Paolo V (1605-1621), tudo indica que o Véu foi roubado e vendido ilegalmente, tendo sido adquirido por um cidadão de Manoppello.
Altar relicário do Véu da Verônica, antiga Basílica de São Pedro no Vaticano
Por sua vez, em seu livroSack of Rome, André Chastel avança uma hipótese diferente: que o Véu teria sido roubado por mercenários luteranos a serviço do imperador Carlos V durante o lutuoso saque de Roma e vendido em alguma taverna da cidade.

O Prof. Saverio Gaeta é da mesma opinião. A posição de ambos foi mencionada pelo Prof. Roberto Falcinelli durante Simpósio sobre o “Santo Volto” acontecido de 4 a 6 de maio de 2010.
As cópias

Durante muitos anos o Vaticano fez cópias do Véu da Verônica, as quais foram enviadas a igrejas ou a príncipes católicos. É por isso que em igrejas e museus de diversas cidades europeias se encontram algumas reproduções supostamente autênticas do “Véu da Verônica”.

Em 1616, o Papa Paulo V (1552-1621) proibiu a confecção de novas cópias. E o Papa Urbano VIII (1623-1644) renovou a proibição acrescida de excomunhão, além de ordenar a destruição de todas as cópias então existentes.

Em 1618, o arquivista do Vaticano Giaccomo Grimaldi constatou que o cristal do relicário do Véu da Verônica tinha sido violado e quebrado.
Pe Pfeiffer S.J. em confêrencia sobre o Véu da Verônica, Lucca, Itália
Pe Pfeiffer S.J. em confêrencia sobre o Véu da Verônica, Lucca, Itália
O Pe. Pfeiffer S.J. vê nas decisões papais o sinal de que nessa época o Véu não estava mais no Vaticano. E acrescenta que no relicário de Manoppello foi encontrado um caco de cristal muito mais antigo, segundo noticiou a agência ZENIT.

O fato certo é que, de acordo com o “Relato histórico” redigido entre 1640 e 1646 pelo padre capuchinho Donato di Bomba, o Véu foi doado à igreja pelo Dr. Donato Antonio de Fabritis, segundo consta em ato notarial de 1646.

O mesmo cientista jesuíta saiu ao encalço das cópias espalhadas pela Europa antes da proibição, tendo descoberto nelas muitos detalhes – cor dos cabelos, manchas de sangue, conformação do rosto, barba e até nas dobras do pano – que apontam provirem de um modelo único.

E conclui que esse modelo único é o Véu de Manoppello.
O Pe. Pfeiffer explicou: “Quando há diversos detalhes reunidos em uma só imagem, esta deve ter servido de modelo para todas as demais. Todas as outras pinturas imitam um único modelo: o Véu da Verônica que se encontrava em Roma. Por isso, temos que concluir que o Véu de Manoppello não é senão o Véu da Verônica original”, informouZenit.

Sob raios ultravioletas e análises digitais

O professor Donato Vittori, da Universidade de Bari, executou um exame do Sacro Volto em 1997 valendo-se de raios ultravioletas.
O prof. Niels Svensson da Dinamarca
concede entrevista a TV diante de painéis
com fotos comparativas do Santo Sudário e do Véu da Verônica
Ele concluiu que os fios do Véu não possuem nenhum tipo de cor, fato que concorda com as observações no microscópio.

Esses resultados apontam que a relíquia é “aqueropita”, ou seja, que não foi feita por obra humana.

Exigentes estudos fotográficos com técnicas de maximização digital constataram que a imagem é idêntica em ambos os lados.

Por seu lado, o professor Giulio Fanti, da Universidade de Pádua, estudou o Véu em 2001 e julgou que “no microscópio ótico aparecem substâncias corantes em vários traços anatômicos”. Porém, a presença desses elementos é tão fraca que não permite negar que a imagem seja aqueropita.

Saverio Gaeta, autor de um livro sobre o “Santo Volto”, acha que os “resíduos de pigmentos” encontrados em pequenas áreas das pupilas poderiam tratar-se de algum “retoque realizado na Idade Média para reforçar a intensidade do olhar”.
Concordâncias entre o Véu de Manoppello e o Santo Sudário

Superposição fotográfica sobre o Santo Sudário de Turim  apresentou resultados muito sugestivos
Superposição fotográfica sobre o Santo Sudário de Turim
apresentou resultados muito sugestivos
O sacerdote Enrico Sammarco e a religiosa trapista Sóror Blandina Paschalis Schlömer – uma especialista no Véu da Verônica citada no post anterior – compararam as dimensões antropomórficas do Véu de Manoppello com as do Santo Sudário de Turim.

E constataram que são as mesmas.
Veja vídeo
Clique para ver a
superposição digital do
Santo Sudário e do
Véu da Verônica
Ainda mais, segundo esses estudiosos, as duas imagens podem ser sobrepostas.

A grande diferencia é que no Véu de Manoppello a boca e os olhos estão abertos, enquanto no Santo Sudário não.

Dir-se-ia à primeira vista que os dois Rostos se excluem mutuamente: enquanto o Santo Sudário apresenta uma imagem com traços esfumaçados, o “Santo Volto” apresenta uma nitidez quase fotográfica. Difusas no primeiro, as cores são fortes no segundo.

De um lado temos o rosto majestoso e solene de Nosso Senhor morto, e do outro um rosto humano cuja beleza aflora após uma paciente contemplação.

Porém, superpondo-se o negativo do Santo Sudário à parte anterior do Véu de Manoppello definem-se dez pontos de congruência que permitem fazer a superposição, como explicou a especialista trapista na Conferência Internacional realizada no Centro de Pesquisas do ENEA.
40 cientistas estudam o Véu em Conferência Internacional

Professores.Treppa, Aszyk e Jaworski, da Polônia
analizam fotografias digitais das mudanças fisionomicas
O ENEA (Agência Nacional Italiana para a Energia e as Novas Tecnologias) reuniu 40 cientistas e professores de diversas especialidades e países – EUA, França, Áustria, Canadá, Dinamarca, Alemanha, México, Israel, Polônia, Espanha e Itália – para estudar os aspectos químicos, físicos, mecânicos e médicos das mais famosas imagens “aqueropitas” (quer dizer, não feitas por mãos humanas), a saber, o Santo Sudário de Turim, o manto ou “tilma” de Guadalupe e o Véu de Manoppello.

Esta Conferência Internacional se realizou no Centro de Pesquisas do ENEA em Frascati, de 4 a 6 de maio de 2010. Confira os sites respectivos: Acheiropoietos e Holly Face of Manoppello.  

O extraordinário interesse demonstrado pelos cientistas nos últimos anos implica um reconhecimento implícito do valor científico dos estudos ora realizados sobre o “Véu da Verônica” por um seleto número de pesquisadores.

Zbigniew Treppa e Karolyna Aszyk, analistas de imagem da Universidade de Danzig, Polônia, apresentaram seus estudos sobre as surpreendentes mudanças de expressão da imagem.

Eles sublinharam que as maiores movimentações se detectam na boca, particularmente em relação aos dentes. E apresentaram suas descobertas no livro Fotografia z Manoppello, publicado na Polônia.



Clique nos botões para mudar a foto
(Fotos diversas colhidas na Internet com caráter meramente ilustrativo).

Jan S. Jaworski, professor de Química na Universidade de Varsóvia, documentou a tese de que o “Santo Volto” foi feita de bisso marítimo.

O Pinna nobilis, molusco semelhante ao mexilhão e quase endêmico no Mediterrâneo, forma fios delicados como seda, mas fortíssimos para aderir às pedras. Esses fios podem ser secados e trabalhados.
Na foto acima: Pinna noblis e o byssus Na foto embaixo: colheita do byssus
O pano resultante é de altíssima qualidade. Além de refinadíssimo e caríssimo, apresenta uma extraordinária transparência e um brilho nacarado ou furta-cor muito prezado na Antiguidade.

Mas possui uma peculiaridade muito importante para o caso do Véu: é impossível de ser pintado.

Chiara Vigo, uma das raras especialistas nesta antiga arte têxtil que ainda perdura na região mediterrânea, foi a primeira a identificar em 01/09/2004 o bisso marítimocomo a matéria-prima do pano, porque ela nasceu na ilha de Sant'Antioco, na Sardenha, onde se trabalha com esse fio.

Por fim, numa sessão de posters, a Irmã Blandina Paschalis Schloemer e o professor Andreas Resch apresentaram um conjunto fotográfico mostrando que o Véu de Manoppello e o rosto do Santo Sudário de Turim podem ser sobrepostos.
Jornalista alemão faz seu inquérito próprio

Paul Badde
O jornalista Paul Badde, correspondente em Roma do quotidiano alemão Die Welt, estudou durante vários meses o “segredo de Manoppello” e publicou suas conclusões no livro O outro Sudário(em francês L’autre suaire, Editions de l'Emmanuel - Editions du Jubilé; e em inglês The Face of God: A Rediscovery of The True Face of Jesus on The Holy Face of Manoppello, Ignatius Press, San Francisco, 2010, 350 pp.)
Ele explicou à agência ZENIT que “o Véu foi feito com um pano extremamente delicado, fabricado com bisso marítimo e no qual aparece o rosto de Cristo.

“Ora, é tecnicamente impossível pintar neste tipo de panosemelhante à seda, mas feito com filamentos de Pinna nobilis. Não se encontra nenhum pigmento ou pintura no Véu. A aparição do rosto sobre o Véu continua até agora sendo um mistério que faz parte do inexplicável”.
Irmã Blandina expõe mudanças na expressão
durante Congresso Internacional
Badde destaca neste Véu “a majestade do rosto de Cristo. Trata-se – diz – da imagem por excelência de Cristo, o antigo Vera Ikon, o tesouro mais precioso da Cristandade que durante séculos pareceu desaparecido e que agora foi redescoberto”.
E acrescentou: “É fácil patentear que se trata do Véu dito da Verônica, o qual foi venerado durante muito tempo na Basílica de São Pedro.

“Numerosas provas da época fornecem um testemunho convincente.

“O véu representa o mesmo rosto do Santo Sudário: o de Jesus de Nazaré. Mas o Santo Sudário representa-o morto, enquanto que o Véu o representa vivo, com as mesmas chagas no rosto!”

FIM