sexta-feira, 7 de junho de 2013

RESPOSTA A UM PROTESTANTE

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há 28 minutos · 
  • Irmãos a paz do Senhor.

    Recebi aqui a pergunta de um protestante que acredito que a fez de boa fé. Então preparei uma resposta especifica e gostaria de partilhar convosco:

    Ele pergunta sobre Êxodo 20.4-5 " 4 Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra.

    A pergunta dele é um longo texto, mas aborda: Imagens, se prostrar diante de imagens e a suposta “Adoração a Maria.”

    A resposta:

    Êxodo trata da saída do povo hebreu do Egito para terra prometida, a passagem deve ser entendida no contexto do livro. Os judeus estavam se desviando da fé e adorando ídolos pagãos e até ídolos inventados. Quando se diz: “nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra.” É uma referencia dos Deuses Egípcios que habitavam esses lugares, não a Igreja que nem existia na época.

    E entendamos outra coisa. Deus não se contradiz, se você for em Êxodo 25, 18-19, somente 5 capítulos depois, Deus em pessoa manda fazer imagens de anjos (que estão no céu espiritual) e por sobre a arca. Ai você se pergunta, mas como? Como pode? Simples. Ambas são imagens, mas as primeiras são ídolos e as segundas ícones. O próprio templo de Jerusalém, por ordem de Deus, era adornado de imagens de bois, vacas(que estão na terra), querubins(que estão nos céus) e plantas (I Reis. 6,23-35 e 7,29) e isso nunca foi idolatria. Muitas sinagogas ainda hoje são adornadas de pinturas, vitrais e imagens.

    Para entender melhor a diferença entre Ídolo e Ícone (ambas são imagens, mas são completamente diferentes) recomendo o vídeo de Pe. Paulo Ricardo postado abaixo:

    20 - A Resposta Católica: Culto aos santos e suas imagens
    http://www.youtube.com/watch?v=5Ph9gsPsLV4

    Quanto a citação : “adoração de Maria”:

    A Igreja nunca ensinou tal afirmação! Os protestantes confundem, culto de veneração com culto de adoração. O CULTO DEDICADO A ELA É DE VENERAÇÃO QUE É O MESMO CULTO DEDICADO AOS ANJOS E AOS SANTOS.
    Em 1917 a Biblioteca John Ryland, de Manchester (Inglaterra) adquiriu no Egito um pequeno fragmento de papiro de 18 x 9,4 cm (Ryl. III,470), cujo conteúdo foi identificado em 1939; é o texto de uma oração dirigida a Maria Santíssima invocada como Theotókos (=Mãe de Deus) no séc. III. Quando em 431 (séc. V) o Concílio de Éfeso proclamou Maria Theotókos, fez eco a uma tradição cujo primeiro termo conhecido remonta a Orígenes (243 dC). Como se vê, a Igreja só vem a confirmar o que já era praticado no princípio do Cristianismo.

    Nem tão pouco “adoramos a santos”

    A Igreja nunca definiu tal dogma. Por não saber a diferença entre culto de veneração, que significa: interceder, homenagear, saudar, honrar, imitar, os protestantes nos acusam de adorá-los. A Igreja Católica nunca ensinou nem mandou adorar a quem quer que seja; e sim, sempre ensinou que devemos adorar unicamente a Deus, que é o Pai, o Filho e Espírito Santo.

    Nós os veneramos porque Deus é pai dos vivos e dos mortos(pois a morte n existe, estão vivos também), e pelo fato de estarem nos Céus, podemos estar em comunhão com eles e eles com nós (Hebreus 12,22-24). Confira mais esta: “E o Senhor me disse: ainda que Moisés e Samuel se apresentassem diante de mim, o meu coração não se voltaria para esse povo” (Jeremias 15,1) Comentários: Moisés e Samuel já não eram do número dos vivos(haviam morrido a seculos), e podiam, no entanto, interceder pelo povo. Note-se que em (2 Macabeus 15,14) o próprio Jeremias, já falecido, é apresentado como, quem “muito ora pelo povo e pela cidade santa”. Confira mais em: (Apocalipse 5,8) (Êxodo 32,11-14) (Apocalipse 6,9-11) (5 Reis 13,21) (Apocalipse 7,9) (Apocalipse 7,13-15).

    Ainda recomendo o vídeo de Pe. Paulo Ricardo:
    18 - A Resposta Católica: Intercessão dos Santos
    http://www.youtube.com/watch?v=oYFr9q8616Y

    Mas no fim irmão só um argumento deveria ser necessário. A Bíblia vem da Igreja Católica (processo ocorrido entre os séculos IV e VII), lembre-se que o protestantismo só veio surgir no século XVI e que os judeus NUNCA tiveram um Canon único de livros (velho testamento) até o fim do século I. Então é a Autoridade da Igreja que fundamenta (valida) a Bíblia e não a Bíblia que fundamenta a Igreja. A paz do Senhor esteja contigo.

    A Resposta Católica: "Qual é a Diferença da Bíblia Católica para a Bíblia Protestante?"
    http://www.youtube.com/watch?v=GfXN1i72IAc

    Os protestantes afirmam que se prostrar (ajoelhar) significa adorar. Por isso os Católicos ao se prostrarem (Ajoelharem) perante alguém ou algo estariam cometendo idolatria.

    Será verdade? Prostrar na Bíblia Significa adorar?

    Ocorre que prostrar-se não significa adoração. E a própria Bíblia Sagrada, que nossos irmãos evangélicos sempre citam (só alguns trechos) e imaginam que seguem à risca, está cheia de exemplos disso. Pena que nossos irmãozinhos não a leiam na íntegra, de uma maneira consciente, com discernimento. Vejamos...

    # Podemos ler juntos no Livro de Josué:

    "Josué rasgou suas vestes e prostrou-se com a face por terra até a tarde diante da Arca do Senhor, tanto ele como os anciãos de Israel." (Josué 7, 6)

    - Por acaso Josué, líder do povo de Deus, e os anciãos de Israel estavam adorando a Arca? Eles eram idólatras?

    # Em 1 Reis, lemos:

    “O profeta Natã entrou e prostrou-se com o rosto por terra diante do rei Davi.” (1Rs 1,22-23)

    - Natã, profeta de Deus, estava adorando o rei Davi? Ele era, então, um idólatra ?

    # Um pouco mais adiante, está escrito:

    "O rei Salomão mandou mensageiros, e fizeram Adonias descer do Altar. Ele então veio e prostrou-se diante do rei, que lhe disse: 'Volta para a tua casa'." (1Rs 1, 53)

    - Podemos ver claramente que era costume prostrar-se, isto é, ajoelhar-se diante do rei. Se ajoelhar-se diante de um simbolo religioso (como a Arca), ou diante do rei fosse sinônimo de adoração, todo o povo de Israel seria idólatra.

    # Em 2Reis, vemos o seguinte:

    “Eliseu atravessou o rio. Os irmãos profetas (...) vieram ao seu encontro e prostraram-se por terra, diante dele”.

    - Os profetas de Deus estariam idolatrando, adorando a Eliseu?

    Os gentios se prostrariam à Jerusalém:
    Também virão a ti, inclinando-se, os filhos dos que te oprimiram; e prostrar-se-ão às plantas dos teus pés todos os que te desprezaram; e chamar-te-ão a cidade do SENHOR, a Sião do Santo de Israel. (Is 60:14)

    Josué se prostra perante um objeto santo:

    Então Josué rasgou as suas vestes, e se prostrou em terra sobre o seu rosto perante a arca do SENHOR até à tarde, ele e os anciãos de Israel; e deitaram pó sobre as suas cabeças. (Jos 7:6)

    Hebreus se prostraram ao Senhor e ao Rei:

    Então disse Davi a toda a congregação: Agora louvai ao SENHOR vosso Deus. Então toda a congregação louvou ao SENHOR Deus de seus pais, e inclinaram-se, e prostraram-se perante o SENHOR, e o rei. (1Cr 29:20)

    Davi se prosta diante do Anjo:

    E, levantando Davi os seus olhos, viu o anjo do SENHOR, que estava entre a terra e o céu, com a sua espada desembainhada na sua mão estendida contra Jerusalém; então Davi e os anciãos, se prostraram sobre os seus rostos. (1Cr 21:16)

    Confira mais exemplos em (Num 22:31); (Juízes 13:20); (1Sm 25:23); (1Re 1:53); (1Re 18:7); (Mat 18:25-26); (Exo 18:7); etc... a MUITOS e MUITOS outros exemplos...

    Mas você pode ser perguntar e em (Apo 22:8); (At 10:25-26) Onde ao se prostrarem João e Cornélio foram repreendidos.

    Nesses casos específicos eles tinham a intenção de adorar, então cometeram um erro e foram repreendidos, porem o erro não estava em se ajoelhar, mas na idolatria.

    São João se prostrou ao anjo e foi repreendido:

    E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava para o adorar. (Apo 22:8)

    São João se prostrou para adorar o anjo e por isso foi repreendido pelo próprio anjo:

    E disse-me: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus. (Apo 22:9)

    Nesse caso, a repreensão a São João não foi pelo fato dele se prostrar perante o anjo, mas em fazer isso para adorar o anjo. Nos casos anteriores prostraram-se perante o anjo, mas não para adorá-lo. E então não sofreram repreensão nenhuma.

    Cornélio se prostrou a Pedro e foi repreendido:

    E aconteceu que, entrando Pedro, saiu Cornélio a recebê-lo, e, prostrando-se a seus pés o adorou. Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem. (At 10:25-26)

    Cornélio se prostra para adorar São Pedro e não simplesmente reverenciá-lo; por isso foi repreendido

    Quanto ao ato de um cristão que se prostra diante da Cruz de Cristo, ou diante do Altar, ou diante de algum símbolo religioso como as imagens sacras, São Tomás de Aquino o esclareceu com perfeição: “O culto da religião não se dirige às imagens em si como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da qual é imagem.” (Suma Th. II-II, 81, 3, ad3. apud CIC §2132).

    Pensamos que a questão está mais do que respondida, com base na Bíblia Sagrada e na Tradição Cristã, que vem desde o início do Cristianismo e permanece até os nosso dias, preservada pela Igreja do Senhor, como está escrito.

    Detalhe: Me “dei ao trabalho” de escrever essa resposta porque acredito de coração na sinceridade da sua intenção em aprender. Pax!

    [David Sampaio - Sou Feliz por ser Catolico(a)]

Sobre o «sou feliz sendo prostituta» do Ministério da Saúde

Posted: 06 Jun 2013 09:56 AM PDT
A Gazeta do Povo de Curitiba publicou mais uma vez um corajoso e oportuno editorial: «Um apagão ético-jurídico», falando sobre a “campanha de apologia à prostituição que o Ministério da Saúde colocou e retirou do ar”. Trata-se da campanha que continha, entre outras, a imagem abaixo. O responsável por ela foi demitido após o escândalo.
sou-feliz-sendo-prostituta
Não me parece crível que a veiculação dessa campanha possa ter sido um mero engano. Afinal de contas, exaltar a prostituição está perfeitamente de acordo com os rumos que a nossa elite “bem-pensante” julga necessário impôr ao país para o “modernizar” (a bandeira, inclusive, é despudoradamente defendida na Câmara pelo sr. Jean Wyllys, o deputado que parece ter um prazer doentio em se colocar a favor de tudo o que não presta). O mais provável é que a peça tenha sido calculadamente liberada para “sondar” a aceitação popular; se não houvessem chovido reclamações, eu sinceramente duvido de que o senhor Padilha tivesse se dado ao trabalho de mover mundos e fundos para retirar a campanha de circulação.
Mas voltemos ao editorial do periódico curitibano. A Gazeta do Povo é contundente no seu diagnóstico:
Em questões que envolvem a dignidade humana, a mera neutralidade do Estado já seria preocupante, por ser, no fundo, uma omissão. Mas pior ainda é ver o poder público abraçar essas plataformas, chegando-se a extremos como o “Eu sou feliz sendo prostituta”.
E, no fundo, trata-se exatamente disso. Palavras como “direitos humanos”, “dignidade humana” e similares são hoje em dia meros talismãs destituídos de significado, empregados no discurso político para justificar quaisquer barbaridades que os detentores do poder em um determinado momento histórico julguem por bem impôr à população. A prostituição é somente o aspecto menos tragável dessa revolução moral abjeta, uma coisa contra a qual os cidadãos ainda acham importante se levantar. É óbvio que não há nada de digno na mercantilização do sexo; que seja necessário defender publicamente isso contra uma campanha oficial do Governo do Brasil que afirma haver felicidade na prostituição, no entanto, serve para nos fazer ver quão densas são as trevas em que o Século XXI achou a sociedade brasileira mergulhada.
Em um comentário que enviei à Gazeta do Povo cumprimentando-a pelo editorial [coisa que, aliás, recomendo que todos façam; oupelo site ou pelo email leitor@gazetadopovo.com.br], eu pontuei que nem sempre dignidade e liberdade andam de mãos dadas. O livre-arbítrio humano, que sem dúvidas é parte constituinte da nossa dignidade, por sua própria natureza pode ser empregado para nos degradar. Qualquer pessoa há de convir que existem diversas formas pelas quais um ser humano pode degradar-se a si mesmo, e que portanto somente o binômio “voluntário” x “coagido” não se revela satisfatório para nos dizer se certas atitudes são dignas ou não. É importante defender a liberdade sim, mas isso não nos pode fazer fechar os olhos à existência de certas coisas que, por mais que nos incomodem e desconcertem, são ao mesmo tempo radicalmente voluntárias e vergonhosamente indignas. E, se é sem dúvidas necessário defender a liberdade, não se pode nunca, a este pretexto, louvar a degradação humana.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Santo do dia: São Bonifácio

Santo do dia: São Bonifácio

São Bonifácio, o grande Apóstolo da Alemanha, era natural da Inglaterra. No batismo recebeu o nome de Winfrido, que mais tarde (pelo Papa Gregório II) foi mudado em Bonifácio.

Bonifácio nasceu no ano de 675, em Kirton, no Devonshire, filho de nobre família anglo saxônica. Tendo apenas cinco anos, manifestou o desejo de estudar num convento e receber instrução religiosa pelos sacerdotes. O pai opôs-se a esta vontade do filho. Ficando, porém, gravemente doente e atribuindo a enfermidade à sua resistência os desejos do filho e, portanto, considerando-a um castigo de Deus, deu consentimento e ficou curado imediatamente. Winfrido não achou só o que procurava, a instrução na religião e nas ciências: como sentisse uma forte inclinação para a vida monástica, entrou para a Ordem Beneditina, à qual os mestres pertenciam. Tendo alcançado a idade de 30 anos, recebeu o Sacramento da Ordem. Grande deve ter sido a estima em que o tinham os confrades; pois unanimemente o elegeram sucessor do Abade, que havia falecido. Bonifácio, porém, não aceitou a dignidade, que a confiança dos confrades quis conferir-lhe. Alegando um forte desejo de pregar o Evangelho aos pagãos, obteve a licença de, com alguns companheiros, se dirigir a Roma, para pôr-se à disposição do Sumo Pontífice.
Gregório II recebeu-o mui cordialmente e deu-lhe amplas faculdades de missionário apostólico. Bonifácio, seguindo um impulso do coração, escolheu a Alemanha para campo de sua missão. De Roma dirigiu-se diretamente à Baviera e Turíngia, onde a fé cristã se achava em completa decadência, devido à grande familiaridade que reinava entre cristãos e pagãos.
Seis meses trabalhou Bonifácio na Turíngia, pregando, instruindo e chamando os cristãos à emenda e à reforma dos costumes. O resultado foi consolador; pois a Turíngia toda abandonou a idolatria e voltou às práticas da religião cristã.
Antes da viagem à Roma, Bonifácio tinha iniciado a pregação na Frisônia. O resultado, porém, foi tão pouco animador, que resolveu interromper a Missão. Chegou entretanto, a notícia da morte de Radbod, duque de Frisônia, o homem que mais se opusera à pregação da doutrina cristã. Removido este obstáculo, Bonifácio achou favorável a ocasião de recomeçar o trabalho naquele país.
Obedecendo a uma voz interior, que o chamava ao apostolado da Frisônia, dirigiu-se a Utrecht, onde, em companhia de Wilibrordo, primeiro bispo daquela localidade, passou três anos pregando e trabalhando, na cidade e fora.
O resultado foi a completa extinção da idolatria naquela região e um florescimento belíssimo, da religião de Cristo. Wilibrordo, vendo as grandes aptidões de Bonifácio, manifestou o desejo de tê-lo como sucessor, na direção da diocese. Bonifácio, porém, alegando ter do Papa recebido a missão de pregar o Evangelho na Alemanha, saiu de Utrecht, e se dirigiu para Hessen. Dentro de pouco tempo, milhares de idólatras largaram as superstições e abraçaram o cristianismo. Tão abundante foi a messe, que Bonifácio se via impotente para trabalhará sozinho. Chamou, então, da Inglaterra, em seu auxílio, missionários e freiras. Construiu igrejas e conventos, e abriu escolas.
Num relatório que mandou a Roma, expôs o estado e o progresso da Missão.
Célebres se tornaram alguns destes religiosos. Entre eles figuram os monges Beneditinos: Burcardo, Wilibaldo, Wunibaldo, Sola, Wigberto. As primeiras monjas, da mesma Ordem, que vieram para a Alemanha foram Walburgis, Lioba, Tecla, Cunihilda e outras mais.
Sumamente admirado dos grandes resultados obtidos na cristianização da Alemanha, o Papa Gregório II desejou conferenciar pessoalmente com Bonifácio. Na segunda viagem a Roma o missionário foi recebido pelo representante de Cristo com grandes honras e foi nesta ocasião, que Gregório lhe conferiu a sagração episcopal, mudando-lhe o nome de Winfrido para Bonifácio. Bonifácio fez nas mãos do Papa o juramento de defender sempre a pureza da fé e a unidade da Igreja e voltou para a Alemanha com uma recomendação pontifícia para Carlos Martello.
Bem enraizada estava a idolatria nos corações dos alemães e foram preciso muito trabalho, sacrifício e orações, para trazer aquela nação ao aprisco do Divino Pastor. Em Goslar existia um carvalho, árvore multissecular, de que os germanos pretendiam ela possuir a força de Odin, e que gozava de grande veneração. Em vão São Bonifácio se esforçava par convencer o povo da fraqueza dos deuses e da falsidade do culto de Odin. Muito menos conseguiu que os idólatras deixassem de prestar culto àquele carvalho. O pavor deles se apoderou quando um dia viram São Bonifácio dispor-se a derrubar o célebre santuário nacional. Nem pedidos, nem ameaças puderam demover o Apóstolo desse intento. Os germanos já lhe previam a morte certa, e apavorados fugiram do lugar, para não serem alcançados pelo raio fulminante de Odin. São Bonifácio só uma machadada vibrou contra o tronco gigantesco do carvalho, quando este se abriu em quatro partes, que com fragor caíram por terra. Este milagre abriu os olhos dos pagãos e, convencidos da impotência dos seus deuses, abandonaram a idolatria. A madeira do célebre carvalho serviu para a construção de uma igreja que São Bonifácio dedicou a São Pedro. Outra igreja foi construída na Turíngia, lugar onde São Bonifácio teve uma aparição de São Miguel, que o animava a continuar corajosamente nos trabalhos apostólicos.
Negócios importantes obrigaram-no a ir, pela terceira vez, a Roma. Gregório III recebeu-o mui paternalmente, deu-lhe grandes faculdades e privilégios e revestiu-o da autoridade de Núncio Apostólico. De volta para a Alemanha demorou-se na Baviera, onde criou seis bispados. Célebres tornaram-se os conventos de Fritzlar, Erfurt, Amoeneburf e Fulda, todos fundados por São Bonifácio.
Estes conventos não eram só casas de oração, mas também outras tantas escolas e seminários, onde se preparava a falange de futuros missionários.
Em 747 a Santa Sé incumbiu a São Bonifácio da administração da arquidiocese de Mogúncia. Durante sete anos foi Pastor daquele rebanho, quando em 754 soube que grande parte dos Frisões tinham abandonado a fé voltado à antiga idolatria. Com consentimento do Santo Padre, entregou os negócios da diocese ao discípulo Lulo, e com alguns companheiros corajosos e dedicados, entre os quais Eobano e Adelar, fez longa viagem à Frísia. A chegada do Prelado foi abençoada por Deus. Ao verem o antigo missionário, muitos Frisões se converteram. Imensa foi a satisfação de São Bonifácio, pois uma messe tão abundante ia além das mais lisonjeiras esperanças. Para confirmar na fé o rebanho, Bonifácio marcou um dia, em que todos deviam receber o Sacramento do Crisma. Não havia igreja que comportasse os fiéis, tão enorme era a concorrência dos que desejavam ser crismados. Foram, então, feitas grandes toldas à maneira de acampamento, onde o povo se acomodasse. Chegou o dia do Crisma, dia também da morte do grande Apóstolo. O inimigo de Deus não podia ver com bons olhos a obra do bispo-missionário. No momento em que este e os companheiros se dispunham a administrar o Sacramento da Confirmação, apareceu um bando de facínoras, a mando do sumo sacerdote pagão, para assassinar o servo de Deus. Bonifácio, percebendo-lhes o maligno intento, deu graças a Deus por ter-lhe reservado morte tão bondosa e gloriosa e animou os companheiros a aceitarem a morte por Cristo. Com os santos Evangelhos na mão, dirigiu-se aos inimigos, os quais não lhe deixaram tempo para pronunciar uma só palavra. Com o punhal no coração, o santo Bispo caiu por terra e expirou.
Com ele foram assassinados mais 52 dos companheiros.
Assim terminou a vida de São Bonifácio, o grande Apóstolo da Alemanha. Oxalá Deus conserve o espírito desse grande Santo e dê à Igreja sempre Bispos e sacerdotes que, como São Bonifácio, não procurem senão a propagação da fé, a renovação do espírito de Jesus Cristo em si, nos súditos, a santificação da própria alma e das almas que lhe são confiadas.
O corpo de São Bonifácio foi levado a Utrecht, onde passou para Mogúncia para afinal achar sepultura definitiva em Fulda.
Muitos milagres lhe observaram no túmulo, fato que muito concorreu para que São Bonifácio se tornasse um dos santos mais populares e venerados na Alemanha.
O rei Luiz I, da Baviera, erigiu na capital suntuosa basílica, em homenagem ao Apóstolo da Alemanha.
Desde muitos anos, é o túmulo de São Bonifácio o lugar onde os Bispos da Alemanha, de tempo em tempo, se reúnem, para, sob os auspícios de seu grande modelo e protetor, realizar as conferências episcopais.

REFLEXÕES

Eis a vida de um grande missionário; vida de trabalhos, de perigos, de perseguições, no meio de povos bárbaros, destituídos da cultura cristã. A tudo isto São Bonifácio se sujeitou e sofreu o martírio, para tornar-se cada vez mais semelhante a Jesus Cristo.
Que fazes no serviço de Deus e pela santificação de tua alma? Não és um escravo do egoísmo, do orgulho e do comodismo? A menor contrariedade que surge, não te faz perder a paciência e outros sofrerem? Se assim é, pouca ou nenhuma semelhança com Jesus tua alma apresenta. Para seres curado do egoísmo, do orgulho e do comodismo, não existe remédio melhor do que a contrariedade, a tribulação. Se estas não faltam, é uma prova de que Deus te ama; do contrário, entregar-te-ia aos teus caprichos e pecados.
A tribulação é mestra excelente, que faz com que nos convençamos da nossa insuficiência e fraqueza e nos ensina a virtude.
Não há como a tribulação, que nos ensina a sermos humildes, despretensiosos e condescendentes. Quem não se humilha na tribulação, não achará outra oportunidade. Na tribulação a alma acha a Deus e nele põe sua confiança, como diz o Salmista: “Porquanto em mim esperou, livrá-lo-ei; protegê-lo-ei, porquanto conheceu meu nome. Chamará a mim e eu o ouvirei; com ele estou na tribulação e livrá-lo-ei e glorificá-lo-ei” (Sl 90, 14).